Com defasagem de até 17% nas refinarias, especialistas preveem aumento imediato nas bombas; inflação de 2026 pode ser revisada para cima
O mercado global de energia entrou em estado de choque nesta primeira semana de março de 2026. O barril de petróleo do tipo Brent, referência mundial, encerrou as negociações desta sexta-feira cotado a US$ 92,87, consolidando uma escalada que rompeu a barreira dos US$ 85 em menos de 48 horas. O gatilho para a disparada foi o agravamento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, rota por onde transita um quinto do consumo global de óleo.
No Brasil, o impacto foi sentido instantaneamente no mercado financeiro, mas a preocupação real recai sobre o setor de transportes. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a disparada da commodity, somada à valorização do dólar frente ao real, abriu uma defasagem de R$ 0,44 por litro no preço da gasolina vendida pela Petrobras em comparação com o mercado internacional.
Pressão sobre a Petrobras e Postos de Combustíveis
Apesar de a Petrobras manter sua política de preços voltada à “estabilidade comercial”, evitando repasses imediatos de volatilidades conjunturais, as refinarias privadas e as distribuidoras já começaram a reajustar seus valores. Em diversos estados, donos de postos relatam que o custo de aquisição do combustível subiu entre 4% e 7% apenas nos últimos três dias.
“A margem de manobra da estatal está ficando estreita. Se o Brent se estabilizar acima dos US$ 90, um reajuste oficial será inevitável para evitar prejuízos na importação, já que o Brasil ainda depende de trazer diesel e gasolina de fora para suprir o mercado interno”, explica Adriano Pires, especialista em energia.
O “Vilão” da Inflação em 2026
A alta dos combustíveis é o principal fator de risco para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Analistas do mercado financeiro, consultados pelo Relatório Focus, já sinalizam que a meta de inflação de 3,91% para 2026 corre o risco de ser descumprida caso o choque energético persista.
O impacto não se restringe apenas ao abastecimento de veículos de passeio. O óleo diesel, base do transporte de carga no país, é o que mais preocupa. Um aumento no diesel encarece o frete de alimentos e produtos industrializados, gerando uma inflação inercial que atinge todas as camadas da população. “Estamos diante de um choque de oferta clássico. O custo de produção sobe e o Banco Central perde espaço para continuar cortando os juros”, afirma a equipe de análise macroeconômica da Global Asset.


