Dólar atinge R$ 5,31 com escalada de tensões no Oriente Médio

Ibovespa recua 3% em meio à fuga global de ativos de risco

O mercado financeiro brasileiro viveu uma jornada de forte aversão ao risco nesta quinta-feira. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 1,8%, cotado a R$ 5,31, atingindo seu maior patamar desde o último trimestre. O movimento foi impulsionado pelo agravamento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que levou investidores a buscarem refúgio em moedas fortes e títulos do Tesouro americano (Treasuries).

No cenário doméstico, o Ibovespa não resistiu à pressão vendedora e fechou em queda de 3,02%. Analistas apontam que a incerteza sobre a estabilidade das rotas comerciais globais gera um prêmio de risco elevado para mercados emergentes. “O investidor estrangeiro está retirando liquidez do Brasil para se proteger na volatilidade”, afirma o economista-chefe da Global Asset.

Desdobramentos sobre a reação das autoridades monetárias e o impacto direto no setor produtivo

O Banco Central do Brasil já monitora a situação com “atenção redobrada”, avaliando a necessidade de intervenções extraordinárias no mercado de câmbio através de leilões de swaps cambiais para conter a volatilidade excessiva. A autoridade monetária teme que a desvalorização do real frente ao dólar contamine as expectativas inflacionárias para o restante de 2026, uma vez que o repasse cambial costuma atingir rapidamente os preços de insumos importados e produtos eletrônicos. No Palácio do Planalto, a ordem é de cautela, evitando declarações que possam estressar ainda mais os investidores enquanto o cenário geopolítico não apresenta sinais de arrefecimento.

No setor privado, o impacto já é sentido em cadeias logísticas que dependem de componentes globais. Empresas de tecnologia e agronegócio, embora este último se beneficie da receita em dólar, enfrentam o encarecimento imediato de fertilizantes e defensivos agrícolas, cujos preços são indexados à moeda americana. Para o varejo, o cenário de R$ 5,31 representa um desafio direto às margens de lucro, especialmente em um momento de tentativa de recuperação do consumo interno. Analistas de mercado sugerem que, caso o patamar se consolide acima de R$ 5,35, o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá ser forçado a interromper o ciclo de queda da Selic para evitar uma fuga ainda maior de capitais.

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